| A HISTÓRIA DO DEUS ARGUS
ARGUS é o patrono do serviço secreto brasileiro qual além de espião, tratava-se de um semideus. O mito era cultivado entre os agentes secretos como uma espécie de alerta: mantenha os olhos sempre atentos, desconfie de tudo e, se possível, não morra. Foi justamente a morte de ARGUS que fez dele um modelo para o serviço secreto do Brasil. A tragédia do semideus espião era contada aos agentes do Serviço ainda na fase de treinamento. ARGUS vivera na península do Peloponeso, onde fundara uma cidade com seu nome. Graças a uma rede de espiões que concebera e comandava, havia conseguido expandir seus domínios e mantê-lo a salvo de invasores.
Certa vez, tendo de enviar uma mensagem secreta a um príncipe cujas terras ficavam numa rota controlada por inimigos, mandou raspar a cabeça de um de seus espiões para gravar nela o recado, com ferro em brasa. Depois que os cabelos do agente cresceram, ele foi enviado ao encontro do príncipe e cumpriu sua missão sem despertar suspeitas. Os ardis utilizados por ARGUS no controle de seu território eram tão espetaculares que acabaram por chamar a atenção de Júpiter, que do alto do Olimpo assistia a tudo o que acontecia na terra. Durante muito tempo, Júpiter apreciou os feitos de ARGUS, até que um dia o ás da espionagem morreu. Júpiter então o convocou a prestar no Olimpo seus valiosos serviços que desenvolvera na terra. Para que ARGUS pudesse cumprir sua nova missão, Júpiter o tranformou num semideus, com uma forma tão eficiente quanto monstruosa: sua cabeça foi coberta por cem olhos, o que permitia que ele tudo visse e tudo soubesse. Assim ARGUS nunca mais dormiu, pois enquanto cinqüenta olhos descansavam os outros cinqüenta mantinham a mais cerrada vigilância sobre tudo o que acontecia no Olimpo. Assim ARGUS passou a controlar o movimento dos Deuses, que assim como os homens não eram perfeitos.
Pela divisão de poderes no Olimpo, cabia a Plutão reinar sobre os mortos nos infernos, porém ele não se contentava em mandar somente nos mundos inferiores. A fim de instalar no Olimpo uma noite eterna e assim expandir seus domínios, Plutão concebeu um plano. A idéia era raptar a deusa Aurora e com isso impedir que ela anunciasse a chegada do sol. Mas antes, porém, era preciso neutralizar ARGUS, impedindo que o semideus espião descobrisse o plano e avisasse Júpiter.
Plutão foi ao encontro de ARGUS levando uma flauta encantada e, quando o encontrou, pôs-se a tocar o instrumento. Da flauta saiu um som puro que fez ARGUS cair no sono, todos os cem olhos de uma vez. O informante de Júpiter foi então assassinado. E a Aurora, roubada.
Naquele dia, o sol não saiu, e o Universo se fez novamente de trevas.
Quando despertou de seu sono, Júpiter ficou possesso ao ver o Universo desarranjado. Pelas risadas que vinham dos mundos inferiores, o deus dos deuses descobriu quem fora o responsável pela volta ao caos. Então, puniu Plutão, prendendo- o no fosso do Inferno, e depois libertou Aurora. A paz voltou a reinar no Olimpo. Porém ARGUS estava morto.
Não podendo trazer novamente à vida o seu espião, Júpiter prestou-lhe uma última homenagem. Daquele dia em diante, as qualidades de ARGUS foram reunidas numa só, a argúrcia, com a qual poucos e bons na Terra seriam brindados. Esses homens se tornariam detetives, espiões e agentes secretos, e a eles, como dizia uma publicação do Serviço, caberia "levantar o véu das aparências e perceber a intenção do inimigo".
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